
Quando eu era criança, a primeira profissão que passou pela minha cabeça era de um dia eu ser um astronauta. Óbvio que eu nem sabia que isso era uma profissão, aliás, eu nem sabia o que era uma profissão. O tempo foi passando, ai eu comecei a querer ser cantor. Ter uma multidão em meus shows, milhares de fãs esperando eu sair de um hotel para pegar um autógrafo, tirar uma foto.
Ai veio a fase de ser escritor. Fortemente influenciado por um trabalho que fiz na primeira vez que cursei o 1º colegial ( Sim, pq eu fiz outras 4 vezes ). A minha professora de português falou que teríamos que escrever um livro sobre qualquer assunto. Tirei “A” com muitos elogios, mais algumas críticas por causa de erros ortográficos. Escrevi muitas histórias inacabadas e que com o tempo foram perdidas.
Ai esse lance de escrever deu uma esfriada e eu voltei a fase de músico de novo. A primeira banda séria que tive foi de hardcore, justamente quando a “onda” do hardcore californiano estourou aqui no Brasil. Fazíamos cover de No Fun At All, No Use For A Name, Pennywise e por ai vai. Eu já tinha alguns amigos que tinham banda, mais para o lado do Metal ( Slayer, Metallica, Destruction… ). Mas quando começou a entrar o lance do New Metal ( ou Nú Metal, como queiram ) a banda desses meus amigos resolveu dar uma mudada no som e me chamaram pra cantar. Eram dois vocalistas, um cantava gutural, berrado e eu cantava mais melódico, mais “rapeado”.
Essa foi a fase que mais me aproximei com o meu sonho de criança. Fazíamos bastante shows gravamos um cd demo e outro que não chegamos a trampar em cima dele, e até fizemos um video clip que passou na MTV em horários marginais ( entenda-se, de madrugada ). Mas o tempo foi passando, ouve alguns conflitos que não soubemos como lidar e alguns integrantes tinham outras prioridades, mais especificamente na área familiar. E então o sonho acabou.

Talvez com o fim da banda eu comecei a entrar numa crise. Por várias noites perdi o sono ( e perco até hoje ) pensando e com medo do meu futuro. Estou praticamente há três meses de completar trinta anos e o que tenho de bem material? PORRA NENHUMA! Sou noivo com o casamento marcado para o ano que vem, desempregado, sem uma profissão definida, fazendo tratamento de síndrome do pânico. Neste exato momento, como diria Nando Reis na letra da música “Marvin” dos Titãs, eu sinto todo o peso do mundo em minhas costas. Moro com meus pais e não tenho nenhuma perspectiva de melhora. Sou chamado para algumas entrvistas, mais nenhuma delas com um desfecho feliz. Queria cursar uma faculdade, mais não tenho dinheiro pra pagar. Aliás, não tenho dinheiro pra PORRA NENHUMA! Sou cobrado por todos os lados, sou julgado por pessoa que não fazem a mínima idéia do inferno que está a minha vida.

Mais querem saber? FODA-SE O MUNDO!
Isso aqui foi só um desabafo, obrigado por lerem!